A armadilha do sucesso: narcisismo, desejo e o mal-estar da mulher de classe média brasileira
- Vera Lúcia Belisário Baroni

- 4 de mai.
- 1 min de leitura
Quando o ideal de uma vida perfeita esconde um vazio difícil de nomear, é hora de escutar o que foi silenciado.

A profissional de classe média no Brasil vive um paradoxo: coleciona conquistas, mas sente um mal-estar constante. Essa sensação de esgotamento, que se disfarça de produtividade, muitas vezes esconde uma crise mais profunda — a desconexão com o próprio desejo.
Na busca por estabilidade, reconhecimento e sucesso, muitas se moldam ao que esperam delas: família, mercado, redes sociais. O resultado é uma mulher que vive para manter uma imagem idealizada — forte, competente, bem-resolvida — mas que se sente frágil por dentro. O narcisismo, aqui, não é vaidade: é sobrevivência psíquica.
Essa imagem, no entanto, exige manutenção constante. Esgota, sufoca, aprisiona. E quando o desejo real tenta emergir — aquele que fala de mudança, liberdade, autenticidade — ele é rapidamente calado pelo medo de “jogar tudo fora”.
A psicanálise nos ensina que o desejo não desaparece: ele recua, adoece, se transforma em ansiedade, depressão ou crises de pânico. Escutá-lo pode doer, mas também pode libertar. Pode abrir espaço para escolhas mais verdadeiras — ainda que imperfeitas, mas finalmente suas.
Entre a fantasia de sucesso e o vazio existencial, há um ponto de partida possível: a escuta. A escuta de si. E isso pode começar com uma simples pergunta: o que, de fato, eu desejo?



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